Tem camisinhas gratuitas no SUS. E pode ser que você não soubesse disso

Você sabia que o SUS oferece muito mais do que consultas e exames? Preservativos, lubrificantes, testagem, PrEP, PEP e vacinas fazem parte das estratégias gratuitas de prevenção às ISTs. Informação é a melhor prevenção.

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Dia desses postei um meme sobre reviews dos modelos mais recente das camisinhas Sensi e Tex que são distribuídas gratuitamente pelo SUS e acabei ficando gag de la gag que muita gente não sabia dessa informação.

Me pegou desprevenida por que eu não estou falando de uma informação escondida em algum documento de 87 páginas escrito em fonte tamanho 8, que faz parte de algum arquivo secreto. Estou falando de uma coisa que pode ser encontrada na rede pública de saúde e que faz parte das políticas de prevenção do SUS. Sim, você pode chegar a uma unidade de saúde e pedir, ou até mesmo pegar, preservativos gratuitos. E não, não precisa olhar para os lados com cara de quem está cometendo um c

“ah, mas tem só a camisinha básica?”

Não necessariamente.

O Ministério da Saúde informa que o SUS disponibiliza preservativos externos e internos, inclusive versões como a Tex, texturizada, e a Sensi, que é mais fina que o modelo padrão. E existe razão para isso, e é porque prevenção não precisa ser uma experiência desconfortável, constrangedora ou baseada no famoso “ah, mas eu não gosto de camisinha”. Existem diferentes opções justamente porque corpos, relações e preferências têm suas diferenças.

E tem mais: segundo o próprio Ministério da Saúde, a retirada de preservativos nas UBS e nos serviços especializados em IST não deve exigir cadastro ou limite de quantidade. Ou seja, pode chegar lá e garantir as suas sem burocracias, camisinhas não são prêmios de bingo ou gincanas.

E lubrificante?

Tem também.

O gel lubrificante faz parte das estratégias de prevenção sexual e pode ser disponibilizado gratuitamente pela rede pública. Mas atenção aqui porque tem um detalhe bem importante: a oferta pode variar de acordo com o serviço e o município. Então, se você chegar na unidade e não encontrar, vale perguntar onde está disponível na sua região.

E por que lubrificante entra nessa conversa?

Te explico, porque ele pode aumentar o conforto e ajudar a reduzir o atrito, contribuindo para diminuir a chance de rompimento do preservativo. E o Ministério da Saúde recomenda preferencialmente lubrificantes à base de água quando usados com preservativos de látex. Vaselina e outros produtos à base de óleo podem danificar o látex.

E uma informação que pode até parecer óbvia, mas aparentemente precisa ser dita: NÃO USE DOIS PRESERVATIVOS AO MESMO TEMPO.

Dois preservativos não significam o dobro de proteção. O atrito pode aumentar o risco de rompimento. A matemática da camisinha não funciona assim. E neste caso 1+1 pode somar 3 se os dois estourarem + doenças diversas.

“Tá, mas camisinha é a única coisa que o SUS oferece?”

Não.

E aqui começa a parte que eu acho ainda mais importante falar sobre. A política do SUS trabalha com o conceito de prevenção combinada. A ideia é bem simples de que não existe uma única ferramenta que sirva perfeitamente para todas as pessoas, todas as relações e todas as situações. Por isso mesmo, a prevenção pode envolver preservativos, testagem, vacinação, tratamento das ISTs, PrEP, PEP e outras estratégias. É realmente como se fosse uma caixa de ferramentas, na qual você não precisa usar um martelo para tudo.

PrEP: prevenção para antes da exposição ao HIV

PrEP significa Profilaxia Pré-Exposição. É o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm HIV, mas que podem estar em situação de maior risco de exposição ao vírus. E sim, a PrEP é oferecida gratuitamente pelo SUS. Ela pode ser usada diariamente e, para determinados grupos e situações, existe também a modalidade sob demanda.

Mas muita atenção porque PrEP não é uma ‘camisinha em comprimido’. Ela protege contra o HIV, mas não protege contra outras ISTs. Por isso, o acompanhamento inclui também testagem e avaliação de saúde.

Se você acha que a PrEP faz sentido para você, procure uma unidade do SUS ou um serviço que ofereça a profilaxia para receber orientação profissional.

E se a exposição já aconteceu?

Aí existe a PEP – Profilaxia Pós-Exposição. Que é uma medida de emergência para reduzir o risco de infecção pelo HIV depois de uma situação de exposição, como uma relação sexual sem preservativo ou com rompimento, violência sexual ou acidente com material biológico. E aqui existe uma palavra que precisa ficar piscando em letras garrafais: 72 HORAS.

A PEP deve ser iniciada o mais rápido possível e, para prevenção do HIV, o limite é de até 72 horas depois da exposição. Quanto antes, melhor. O tratamento tem duração de 28 dias e é oferecido gratuitamente pelo SUS.

Então, se alguma situação de risco aconteceu, não é hora de ficar pensando “será que eu estou exagerando?”. Procure atendimento.

Não necessariamente.

Aliás, esse é um dos problemas de depender apenas dos sintomas. Uma pessoa pode ter uma infecção sexualmente transmissível e não apresentar sinais evidentes. Por isso, o SUS também oferece testes para HIV, sífilis e hepatites B e C, inclusive os testes rápidos. E dependendo do exame, o resultado pode sair em cerca de 30 minutos. E o diagnóstico e o tratamento das ISTs são oferecidos gratuitamente pelo SUS. Não precisa esperar o corpo mandar sinais de que há uma infecção.

E vacina? Tem vacina contra IST?

Tem, e essa informação merece ser espalhada.

A vacinação contra HPV faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do SUS. Em 2026, a vacina HPV4 é indicada rotineiramente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em dose única conforme o calendário vigente. O Ministério da Saúde também prevê estratégias de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que não tenham sido vacinados, conforme a organização dos estados. O HPV pode causar verrugas genitais e está relacionado a diversos tipos de câncer, incluindo câncer do colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e regiões da boca e garganta.

E tem outra vacina importantíssima nessa conversa:

Hepatite B. Ela também faz parte do calendário do SUS e está indicada para diferentes faixas etárias conforme o histórico vacinal.

Vamos recapitular porque informação boa é informação compartilhada:

Você pode procurar o SUS para:

  • Preservativos externos e internos: Incluindo modelos como Sensi e Tex.
  • Lubrificante: Disponível na rede pública, embora a oferta possa variar conforme o serviço.
  • Testagem: Para HIV, sífilis e hepatites B e C, entre outras avaliações conforme a situação.
  • PrEP: Para prevenção do HIV antes de uma possível exposição.
  • PEP: Para prevenção do HIV depois de uma exposição de risco, nesse caso, lembre das 72 horas.
  • Vacinação: Incluindo HPV e hepatite B, conforme o calendário e as indicações de cada pessoa.
  • Diagnóstico e tratamento de ISTs: Também gratuitos pelo SUS.

E aqui a parte mais importante de todas:

Informação também é prevenção!

Então manda esse texto para aquele amigo que acha que SUS é só fila de exame. Às vezes a coisa mais importante que está faltando na nossa saúde pública não é necessariamente o serviço. É a informação chegando até quem precisa dela. Cuide de você e de quem está próximo.

E, por favor, quando for transar leve o conhecimento. E não esquece a camisinha também.

Fontes oficiais

Ministério da Saúde – Prevenção de ISTs e prevenção combinada:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/ist/prevencao/prevencao

Ministério da Saúde – Preservativos:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv/use-preservativo

Ministério da Saúde – PrEP:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv/prep

Ministério da Saúde – Calendário Nacional de Vacinação 2026:

https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario

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